Um caminhão estaciona na Glória, Zona Sul do Rio de Janeiro, logo após as 10h. Automaticamente a fila de pessoas se forma. Pois haviam várias pessoas famintas esperando aquele caminhão que recolhe restos de ossos e sebos de carnes rejeitadas dos supermercados carioca. O que se vê depois é de partir o coração, comovidos com esta fome excessiva, o motorista e o ajudante do caminhão todas as quintas-feiras doam à população 20 % do que foi recolhido.

A taxa de desemprego no segundo trimestre de 2021 foi de 14.10%, atingindo 14,4 milhões de brasileiros, se não bastasse isto, a previa de inflação em setembro já chegou em 10,05% no acumulado dos últimos 12 meses, resta a muitos brasileiros apenas o “desejo” de comerem um pouco de carne para matarem a fome.

Rafael Nascimento de Souza e Gabriel Sabóia/Jornal Extra

Vanessa Avelino de Souza, 48 anos, está desempregada e mora nas ruas do Rio de Janeiro, ela conta que uma vez por semana vai até aquele caminhão no ponto de distribuição. Com muita paciência ela separa as pelancas que têm um pouquinho de carne, verifica osso por osso para tentar encontrar um que dê para ser reaproveitado na panela, assim ela coloca tudo em uma sacola de plástico: “a gente limpa e separa o resto de carne. Com o osso, fazemos sopa, colocamos no arroz, no feijão… Depois de fritar, guardamos a gordura e usamos para fazer a comida” disse Vanessa, que confessa não poder conviver com seus cinco filhos.

“Não tenho como cuidar deles. Por isso, eles são criados pela minha mãe. Não temos quase nada. O que temos é de doações. Lá pelo menos, eles têm um pouco de dignidade”


O que se pode ver é uma FILA DA FOME, onde homens, mulheres e jovens se amontoam diante daqueles restos de carne e ossos. Resultado de uma pobreza extrema que obriga vários a garimparem os restos. A pobreza do brasileiro foi acentuada com a chegada da pandemia da Covid-19.

Conforme dados da Rede Brasileira de Pesquisas em Segurança Alimentar e Nutricional, mais de 116,8 milhões de pessoas estão vivendo sem acesso pleno e permanente a alimentos. Destas, 19,1 milhões ( 9% da população) passam fome, e vivem um “quadro de insegurança alimentar grave”. Estes números demonstram um aumento de 54% no número de pessoas que sofrem com a falta de alimentos, se comparados a 2018.

Rafael Nascimento de Souza e Gabriel Sabóia/Jornal Extra

Com informações: G1

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