Pesquisadores modificam rins em laboratório para reduzir incompatibilidade sanguínea em transplantes

Pesquisadores anunciaram um avanço experimental que pode ampliar, no futuro, o número de transplantes de rim. Em estudos de laboratório, cientistas conseguiram modificar rins doados para reduzir a incompatibilidade entre diferentes tipos sanguíneos — uma das principais barreiras para a realização do procedimento.

A técnica utiliza enzimas capazes de remover dos tecidos renais os chamados antígenos do sistema ABO, marcadores que normalmente fazem o organismo do receptor reconhecer o órgão como estranho e iniciar um processo de rejeição.

Segundo os pesquisadores, ao “apagar” esses sinais do tipo sanguíneo, o rim passa a ter maior potencial de compatibilidade com pacientes de outros grupos, o que poderia aumentar o número de combinações possíveis entre doadores e receptores.

Hoje, a incompatibilidade sanguínea é um dos fatores que mais limitam transplantes renais. Muitos pacientes permanecem anos em filas de espera aguardando um órgão compatível. A nova abordagem busca justamente ampliar esse leque de possibilidades.

Apesar dos resultados promissores em ambiente controlado, os cientistas ressaltam que o método ainda está em fase experimental. Antes de chegar à prática clínica, a técnica precisará passar por testes adicionais para comprovar segurança, eficácia e durabilidade dos resultados em humanos.

Especialistas avaliam que, se confirmada, a estratégia poderá reduzir o tempo de espera por transplantes e aumentar o aproveitamento de órgãos disponíveis, representando um avanço importante na medicina de transplantes.