Por: Revista Saber Viver Mais

O Brasil é o quarto país com o maior número de diabéticos do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com diabetes no mundo aumentou significativamente. Em escala mundial, somos o quarto país no ranking de populações que possuem a doença, atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos

O diabetes gera a dificuldade do pâncreas em produzir insulina suficiente causando diversas consequências à saúde, como glicemia alta, sede, problemas na visão e dificuldade para cicatrizar machucados.

Muitos estudos científicos tem seu foco voltado para descobrir tratamentos eficazes contra a doença e seus sintomas. Uma dessas pesquisas é da Universidade Positivo, no Paraná, que acaba de desenvolver uma pomada feita com óleo da erva baleeira para curar ferimentos de diabéticos.

Hoje o diabetes é responsável por grande parte das amputações de membros em todo mundo.

Erva beleeira ou maria-milagrosa

Foi através de um estudo sobre a Cordia veranacea, mais conhecida como erva baleeira ou maria-milagrosa, que as orientadoras, Thais Casagrande e Leila Maranho, junto com a aluna de mestrado Jéssica Martim.

O avô de Jéssica que era diabético e fazia um chá com as folha da erva, que ajudava na cicratização. Elas viram que o seu óleo podeira ser aplicado diretamente nos ferimentos, em forma de pomadas.

A erva baleeira pode ser encontrada ao longo da restinga do litoral brasileiro.

Testes 

As pesquisadores iniciaram os testes utilizando ratos de laboratório, que tiveram o diabetes induzido. Assim as cientistas fizeram pequenos machucados nas cobaias e as dividiram em dois grupos: um que utilizaria a pomada e outro que não usaria tratamento algum.

Durante 18 meses as cobaias foram observadas, e os resultados foram surpreendentes: os animais tratados com a pomada apresentaram melhora na lesão apenas com oito dias de tratamento. Bastaram 15 dias para que as feridas de fechassem totalmente. “A cicatrização fica linda. Sem quaisquer problemas”, diz Maranho. As cientistas afirmam que a pomada não causa dor, ardência ou formigamento, nem tem cheiro forte.

“Importante ressaltar que o trabalho foi aprovado previamente pelo Comitê de Ética em Uso de Animais em Pesquisa da Universidade Positivo e seguiu as recomendações do Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (COBEA) para garantir toda cautela e cuidados éticos com os animais”, disse Thais, em nota à imprensa.

Autorização para colher a erva

Segundo as pesquisadoras a maior dificuldade do estudo não foi observar a eficácia do óleo, mas sim a extração da erva baleeira, pois é necessário uma autorização de órgãos ambientais, porque é vegetação protegida.

Outro fator é que a colheita deve ser realizada no período correto para que os príncipios ativos sejam preservados. No caso, o local escolhido foi São Francisco do Sul, em Santa Catarina.

Próximo passo

As pesquisadores disseram que o próximo passo é patentear o medicamento e tentar que alguma empresa farmacêutica se interesse em comercializá-lo.  “A pomada vai ser boa não só para quem tem diabetes, ela pode ser usada em qualquer pessoa, sem qualquer restrição”, ressalta Jéssica.

A pesquisadora também acrescenta que o produto poderá ser mais barato em relação aos que existem no mercado atualmente, e que preservar a erva baleeira é essencial. “As pessoas devem cultivar mais dessa planta para preservar a espécie”, recomenda.

Com informações: Revista Galileu

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