Por Nutricionista Daniela Mendes Tobaja

A adição de corantes e conservantes aos alimentos são caracterizadas como aditivos alimentares.

Segundo a ANVISA, o aditivo alimentar não tem o propósito de nutrir, mas sim modificar características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante o processo de fabricação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, transporte ou manipulação do alimento.

A quantidade destes aditivos é estabelecidas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), como quantidades aceitável (IDAs).

No entanto, muitos estudos tem associado estes adivos a malefícios a saúde, como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), câncer, hipersensibilidades alimentares, retardo mental, autismo, entre outros. A hipersensibilidade alimentar é a mais comum, também dividida em: alergia alimentar e intolerância alimentar, caracterizada como uma resposta do organismo contra estes aditivos. Os sintomas mais frequentes da hipersensibilidade são urticária, broncoespasmos, edemas, asma, dermatites, hiperatividade e câncer, muito associados aos corantes: amarelo tartrazina, amarelo crepúsculo e vermelho bordeaux .

A população mais vulnerável aos aditivos são os fetos e as crianças, devido a quantidade de aditivos por quilo de peso corporal ser maior do que em um adulto, desta forma as crianças acabam ultrapassando mais facilmente a IDA máxima. Além disso, as crianças apresentam uma certa imaturidade fisiológicos, o que pode prejudicar a excreção dos aditivos, podendo comprometer a sua função hepática (fígado).

Devido o risco a saúde, a Agência de Alimentos do Reino Unido (FSA) proibiu o uso de 6 corantes artificiais em alimentos: a tartazina (E102), amarelo quinolina (E104), amarelo pôr-do-sol (E110), carmoisina (E122), Ponceau 4R (E124) e vermelho allura AC (E129).

Diferente dos corantes, os conservantes que tem como objetivo atrasar a deterioração dos alimentos por microrganismos como bactérias, leveduras e bolores, que de fato podem ser muito prejudiciais a nossa saúde.

Porém, devemos refletir sobre o impacto destes aditivos, uma vez em que o corpo humano é colonizado por bactérias, sendo o intestino o principal habitat desta importante colonização que chamamos de “microbiota intestinal” ou “flora intestinal”, responsáveis por inúmeros processos como síntese de vitaminas do complexo B e vitamina K, função digestiva a partir da síntese de enzimas digestivas, regularização do transito intestinal, absorção de nutrientes, além de função imunomoduladora (associada a nosso sistema imunológico e tolerância oral). O que muitos estudos vem mostrando é que o uso deste conservantes pode exercer impacto negativo na microbiota intestinal.

O conservantes benzoato de sódio ( E211), por exemplo, esta muito associado a hiperatividade. Outros associados a patologias respiratórias e imunológica.

Em crianças, a introdução, principalmente precoce de alimentos supérfluos com quantidade excessivas de lipídios (gorduras), açúcares, corantes e conservantes, podemos causar um “imprinting metabólico”, caracterizado como um desequilíbrio do metabolismo, deixando- as mais susceptível a determinadas doenças.

Com todas estas informações e o crescente interesse por produtos naturais, algumas novas formulações alimentares têm se voltado a utilização de corantes naturais, que não gerem tais impactos negativos na saúde e sim positivos, como no caso da curcumina (cúrcuma) que confere a cor alaranjada aos alimentos e com atividade anti-inflamatória; o licopeno (do tomate ou goiaba ou melancia), que confere coloração vermelha; as antocianinas (da uva e frutas vermelhas) e a cor azul da berinjela e cor verde de legumes.

Na área de conservantes alguns estudos vem sendo realizados com a erva doce, assim como a canela, devida as propriedades naturais antibacterianas. Porém estes produtos ainda são a minoria no mercado, portanto ainda temos que evitar ao máximo produtos industrializados e ficar atentos aos rótulos nutricionais, principalmente a descrição dos ingredientes.

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