Por: Revista Saber Viver Mais

É difícil acreditar que em uma sociedade que assegura em lei as liberdades individuais dos cidadãos ainda exista trabalho escravo. Mas infelizmente ele existe, e nesta segunda feira (25) vimos mais um desses casos no Rio de Janeiro.

Uma idosa de 63 anos, trabalhava como doméstica há 41 anos sem receber salário e sem direito a férias, ela foi resgatada de uma família na Abolição, Zona Norte do Rio de Janeiro, em situação análoga de escravidão.

Resgate

Agente de diversos órgãos federais trabalharam no resgate da idosa, atualmente uma equipe vem trabalhando arduamente para combater o trabalho escravo no Rio de Janeiro.

Os agentes apuraram que quando não estava trabalhando como doméstica ela catava latinha na rua e todo o dinheiro que conseguia era recolhido pelos patrões. Outra coisa que chamou a atenção dos agentes foi o fato de nunca ter sido registrado nenhum vínculo empregatício na sua carteira de trabalho.

Ao ser resgatada a mulher estava dormindo em um quarto minúsculo, sem luz nos fundos da casa. E um relato ela disse que ficava a disposição da familia em tempo integral e que inclusive estava cuidando de uma pessoa doente.

Segundo a Polícia Federal um inquérito será instaurado, os empregadores da idosa receberam somente um ato de infração e podem recorrer em liberdade.

Benefício Sacado

Como se não bastasse todo o sofrimento, os Agentes Federais ainda apuraram que os patrões ainda sacaram o Auxílio Emergencial em nome da idosa.

Segundo a mulher, ela entregou seus documentos para que tivesse o benefício sacado. No entanto, ouviu da patroa que não teria direito ao dinheiro porque sua carteira de identidade estaria “velha”.

Mas os auditores fiscais do Trabalho identificaram que o benefício que o Auxilio foi sacado em nome da idosa.

A empregadora contou em depoimento que realizou o primeiro saque. As outras parcelas foram recebidas por outras pessoas. Um procedimento foi aberto no banco para averiguar o caso.

Sem noção do tempo

A idosa não tinha acesso a celular, telefone ou televisão. Ela também não tinha relógio ou noção de tempo e espaço.

De acordo com a procuradora do MPT-RJ, Viviann Britto, será pedido uma indenização para a vítima compatível com o período que viveu em situação análoga à escravidão. O órgão também tentará buscar a reinserção dela na sua família de origem, ou mesmo em um abrigo.

“Todos temos redes familiares, de trabalho, social. Ao longo desses 41 anos a rede dela foi minada de tal forma que ela não reconhece mais nada a não ser aquele ambiente, aquelas pessoas. Ela perdeu toda a sua rede de proteção”, disse a procuradora.

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