Por Daniele Abrantes

No mundo onde a Lei da Sobrevivência instiga uma competividade acirrada, vamos, pouco a pouco, nos afastando de nós mesmos. Basta olhar as redes socias. Homens e mulheres atraentes e poderosos, vidas que parecem mais interessantes do que a nossa.

A extrema necessidade de sermos vistos , reconhecidos por algo, seja pela beleza, ou pelo status, parece uma epidemia apocalíptica. Apenas poucos minutos dando uma olhada pelo feed , vê-se que, de repente, parece que quase todo mundo quer ser famoso. Artistas, vivendo de suas artes.

Uns possuem mesmo algo a acrescentar, outros, apenas acham que possuem o dom de cativar, apenas com feitos irrelevantes, carregados de futilidades. Sempre foi assim? Sim. Mas hoje, parece que a coisa cresceu tanto , a ponto de vermos pessoas aparentemente comuns, que não eram notadas, se tornarem manipuladores compulsivos e mentirosos habilidosos. Tudo pela busca desenfreada de saciar o Ego, na disputa da corrida maluca pela notoriedade.

O indivíduo sensível, retraído, doce, que conquista a confiança de todos com um sorriso gentil, esconde um auspicioso predador, que estuda, ludibria e finalmente atrai sua presa a fim de realizar seu intento. Geralmente, passam por cima de qualquer pessoa, até da família, para alcançar seu objetivo: Fama. Como a sede por holofotes cega sua visão, ele não intitula mais suas decisões como certas ou erradas. Tudo pode. Vale tudo. A ambição é válida para o ser humano conquistar seus sonhos, porém, quando ela é exacerbada, perde-se no labirinto onde não se distingue mais o bem do mal. E aí é que mora o perigo : a perda da essência.

Quando o Ego se enche de soberba, diz que você é especial, então, você se guia pela arrogância. Contudo, quando a Essência sente que você é especial, então, você se guia pela auto estima. Neste segundo caso, prossiga. Porque você saberá o caminho de volta para casa: o seu verdadeiro Eu. Aquele que foi deixado lá no quarto, debruçado sob a janela, mirando as estrelas . Aquele jovem sonhador, imaculado pela maldade, incapaz de realizar joguetes. Aquele que, se o fitasse nos olhos, logo o leria por inteiro. A tênue linha que separa Sucesso de Fracasso, consiste em priorizar aquilo que de fato almejamos, baseado no que nos tornamos, ao longo deste processo.

Enquanto o Ego grita “ Meu”, a Essência, sussurra, “ Nosso”. O Ego é dominado pelo “Ter”. Já a Essência, é regida pelo “ Ser”. O Ego persegue riquezas, flertes, atenção e adoração constante. A Essência, partilha conquistas, não joga com interesses, mas sim, com verdades.

O Ego se afirma subjugando os demais. Almeja o topo, passa para trás, mente com um sorriso no rosto, trai, trapaceia, se vangloria, tudo para se sentir importante. O Ego ,é como um casulo. Algo que alimentamos e nos distancia da nossa essência, de acordo com as necessidades que alimentamos.

O ser humano vive em uma constante busca. Pelo par perfeito, pela casa perfeita, pela aparência perfeita, pelas amizades perfeitas. Em suma, pela vida perfeita. Mas o que é perfeição? Para alguns, a letra da música de Toquinho, “Casinha Branca” com os versos.

“ Eu queria ter na vida simplesmente ,um lugar de mato verde, pra plantar e pra colher. Ter uma casinha branca, de varanda, com quintal e uma janela, para ver o sol nascer”.

Para outros, Perfeição é “ Eu, você, dois filhos e um cachorro”,como canta Luan Santana.

Os mais sonhadores, acham idealizam “What a wonderful world”, na belíssima voz de Neil Armstrong, como símbolo de uma vida perfeita e feliz.

Mas há aqueles que sonham com “Applause”, celebrada na voz marcante da Pop Star, Lady Gaga.

Percebe que tudo depende de escolha da essência? O conflito com o Ego, se dá quando a realidade parece distante demais da projeção de vida que fazemos. Se conseguimos nos manter sãos mentalmente, encontramos o equilíbrio. O mal estar em ir com sede demais ao pote. O urso, que se lambuza com o mel e esquece de guarda um pouco para o dia seguinte. Ele fica tão faminto que acaba deixando de lado a racionalidade. Estocar para o inverno, é preciso. Auto controle, é vital.

O que mais vemos, é celebridades serem consumidas por comportamentos destrutivos. Conforme escalam os degraus da fama, ao chegarem no alto, não sabem mais como descer de lá. O Ego, os colocou no topo. O medo, os aprisionou lá.

Na busca pela glória, se perderam de si mesmos, mas persistem e, por fim, entram em conflito consigo mesmas, e são tomadas por um sentimento latente de um vazio que não consegue ser preenchido por nada, nem por ninguém. Então, começam a busca lancinante por si mesmos noutras roupas, noutras bocas, noutras viagens, noutras vidas, por não mais se acharem nas suas próprias verdades. A depressão, o suicídio, começam a preencher essas lacunas, construindo em torno um forte, uma muralha impenetrável. E então, dá-se o regresso. A busca pela Essência.

Só para curiosidade, Freud dizia que o Id é a nossa parte mais primitiva (inconsciente), é o nosso lado que age impulsivamente, para satisfazer seus prazeres, sem se preocupar com o externo.
O Ego tem consciência da realidade e é o mediador entre Id e Superego, que representa a razão . O Superego, é o produto da internalização das proibições, do que não deve fazer. Ele é o aspecto moral da personalidade, é a censura que diz: não faça isso, não faça aquilo, isso não está certo.Enquanto o Id “diz”: vou realizar meu desejo,o Superego tenta inibir as satisfações do Id “dizendo” que não pode, e o Ego media o conflito entre os dois, para que o ser humano possa ter uma saída saudável para a situação.

Para não nos perdemos de nossa Essência, precisamos fitar as estrelas, mantendo os pés no chão. Exercer a Empatia, é fundamental. Se a cada vez que nosso EGO gritar “EU,EU,EU”, ao se sentir instigado a usar alguém para benefício próprio, feche os olhos, imagine-se no lugar da pessoa.

Procure passar para a grande tela de cinema mental o que seus atos acarretariam para o outro. Se coloque como o mocinho protagonista que acredita ter, no vilão, seu melhor amigo. Imagine quão terrível é confiar, enquanto, pelas costas, é traído. Doloroso, não?

Quem vive sobre a influência do Ego vive constantemente no desconforto do medo, da tristeza, da insegurança, da raiva, da soberba, da avareza, da inveja, da luxúria e permanecem na escuridão.

A Essência, atrai verdade. Logo, dá e recebe amor e amizade verdadeiros. Suas escolhas são sempre satisfatórias pois não há conflito interno. Elas exercem a liberdade de ser o que se é.

Assim,o exercício de se colocar no lugar do outro, antes de fazer qualquer escolha, sempre será guiado por nossa Essência. O Ego, claro, é necessário, mas, não como protagonista e sim, como co protagonista. O Ego, anda na frente, mas a Essência o convida a andar ao seu lado.

Lembre-se sempre disso. Então, aonde quer que vá, não importa se perto ou se longe,jamais se perderá, pois sempre estará de encontro consigo mesmo.

Como aconselhou sabiamente Mufasa ao jovem e intrépido filho, Simba : “ Lembre-se de quem você é”

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