Nós noticiamos há um tempo atrás a história de superação da professora de ensino técnico Joana D’Arc Félix de Sousa, de 55 anos, de como ela superou a pobreza e chegou a um pós-doutorado em uma das mais conceituadas universidades do mundo.

Infelizmente esta história é interrompida por um capítulo muito triste, a professora declarou uma formação na Universidade Harvard que ela não possui e usou um diploma falso na tentativa de confirmar a informação.

Contradições

As contradições da professora vão além do diploma, em várias entrevistas e palestras ela afirmou que havia entrado aos 14 anos na faculdade, mas segundo a Unicamp, Joana só se matriculou com 19 anos, em 1983. Joana inclusive já reconheceu que essa informação também não é verdadeira.

Em entrevista dada ao jornal Estado no fim de 2017, Joana diz ter morado por dois anos na cidade de Cambridge, local onde fica a faculdade de Harvard, e só voltou ao Brasil por conta da morte do pai, informação que também foi desmentida por Joana.

Diploma falso

Na época à reportagem pediu a documentação que comprovasse o trabalho que a professora havia feito nos EUA. Ela então enviou um diploma datado de 1.999, com o brasão de Harvard, nome dela e titulação de “Postdoctoral in Organic Chemistry”.

Mas para a surpresa da reportagem, após o documento ser mandado para Harvard, a faculdade fez uma análise e achou várias inconsistências no mesmo. A primeira não conformidade é que a faculdade não emite diploma para pós-doutorado. A segunda foi ainda mais grosseira, a grafia de uma palavra errada (estava escrito “oof”, em vez de “of”).

A terceira que realmente comprova de vez a falsificação do suposto ‘diploma’. No certificado havia duas assinaturas sendo uma do professor emérito de Química em Harvard Richard Hadley Holm. Por e-mail ele declarou: “O certificado é falso. Essa não é a minha assinatura, eu não era o chefe de departamento naquela época. Eu nunca ouvi falar da professora Sousa”.

Essa semana a professora foi questionada novamente pelo Jornal Estado, e admitiu que o diploma enviado à reportagem não passava de uma “encenação de teatro”. “Mas eu não concluí (o pós-doutorado), eu não tenho certificado”, afirmou. “As meninas mandaram junto quando o jornalista me pediu documentos. Eu pensei: tenho que contar isso para o jornalista, mas não falei mais com ele.”

Ela também informou que nunca trabalhou no laboratório da universidade nem morou na cidade de Cambridge. “Não fiquei o tempo físico lá, conversei com orientador. Participei até de um congresso em Boston”, conta.

Toda a pesquisa que ela desenvolveu foi no Brasil, como ela mesmo confessou: “Coloquei isso no Lattes, não sei se está certo ou errado.”

Mas o que é verdade?

Ela de fato cursou graduação, mestrado e doutorado na área de Química na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Suas pesquisas que envolvem produção de couro ecológico e a reprodução de pele humana artificial para transplante, também estão em desenvolvimento. Porém a maior parte dos seus prêmios, palestras ou entrevistas, eram focados na sua história de vida.

Entrevista cancelada

Joana por sua história de vida foi escolhida para ser entrevistada do programa Roda Viva, da TV Cultura. A emissora decidiu não veicular o programa por causa dessas inconsistências de Joana.

“É uma pena, a história dela já seria bonita suficiente se não tivesse essas coisas”, diz o jornalista e apresentador Ricardo Lessa.

O filme

O filme vai narrar a história de uma jovem negra e pobre, que nasceu no interior de São Paulo, conseguiu chegar a uma das mais renomadas universidades do mundo.

A atriz Taís Araújo faria o papel, mas desistiu por ser considerada clara demais para a protagonista. A Globo filmes ainda não fez nenhum pronunciamento sobre o assunto

Última atualização: A professora Joana D’Arc se pronunciou nesta quarta-feira sobre o assunto e diz já ter tomado as médidas cabíveis, conforme texto abaixo: 

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