Por Drauzio Varella

Flavonoides na dieta melhoram as funções cognitivas.

Abundantes em diversos vegetais, eles reduzem o risco de demência, melhoram a performance em testes de inteligência e a cognição em pacientes idosos com dificuldade de memorização.

Uma subclasse deles, os flavonóis presentes em quantidades expressivas no cacau, chá verde, vinho tinto e em algumas frutas, parece retardar o prejuízo das funções cognitivas associado ao envelhecimento.

Os flavonóis também melhoram a função do endotélio vascular (estrutura envolvida no mecanismo de aterosclerose) e reduzem a pressão arterial, por meio da dilatação dos vasos periféricos e cerebrais. A administração de extrato polifenólico de cacau para ratos idosos, reduz déficits cognitivos.

Uma vez que consumir chocolate pode melhorar as funções cognitivas não apenas de indivíduos, mas de populações inteiras, Franz Messerli, da Universidade de Colúmbia, publicou no “The New England Journal of Medicine” um estudo intrigante.

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Partindo do princípio que o número de prêmios Nobel per capita refletiria a proporção de habitantes com funções cognitivas superiores, o autor comparou o consumo nacional de chocolate com a proporção de cidadãos premiados.

Num total de 23 países, foi encontrada uma relação linear entre o consumo per capita e o número de laureados para cada 10 milhões de habitantes, isto é, quanto mais chocolate, mais prêmios. Quando foram excluídos os suecos, a linearidade se tornou ainda mais evidente.

A Suíça apresentou os resultados mais convincentes, tanto em número de prêmios recebidos como no consumo de chocolate. As curvas de regressão revelaram ser necessário comer, anualmente, mais 400 gramasper capita, para obter um novo Nobel.

A dose anual mínima para ter um premiado é de 2kg/ano. No Brasil, essa quantidade equivaleria ao total de 400 mil toneladas por ano.

Princípios básicos de estatística nos ensinam que a existência de uma correlação entre X e Y, não significa que X cause Y, ou vice-versa. Ela apenas mostra que X tem influência sobre Y, que Y influencia X, ou que ambas são influenciadas por outro mecanismo.

A hipótese (X influencia Y) levantada pelo autor, é a de que o chocolate crie um campo mais fértil para a inteligência, no qual despontariam os laureados. Os dados mostram que essa relação existe e é linear para todos os países estudados, com exceção da Suécia, que obteve 32 prêmios, quando pelo consumo deveria ter recebido apenas 14, fato talvez explicável pelo patriotismo das comissões julgadoras.

A segunda hipótese (Y influencia X) seria oposta a essa: cidadãos com melhores performances cognitivas comeriam mais chocolate, por conhecerem os benefícios dos flavonóis.

A terceira (X e Y são influenciadas por outro mecanismo), ficaria por conta de fatores socioeconômicos, geográficos e climáticos. O consumo é mais baixo justamente nos países mais pobres e quentes, com sistemas de ensino precários e menor possibilidade de acesso à educação de alto nível, essencial para formar candidatos ao Nobel.

* Nota: As informações e sugestões contidas neste artigo têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

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