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“Assombroso não é ter câncer, mas sim não ter” – Carlos López-Otin

O verdadeiro milagre da vida: por que não ter câncer é mais surpreendente do que ter

Quando pensamos em câncer, a primeira reação é quase sempre de medo. Afinal, trata-se de uma das doenças mais devastadoras e desafiadoras da medicina moderna. Mas, segundo o bioquímico espanhol Carlos López Otín, o que realmente deveria nos causar espanto não é a existência da doença — e sim o fato de conseguirmos viver sem ela durante grande parte da vida.

Células “egoístas” dentro de nós

López Otín, professor de Bioquímica e Biologia Molecular e chefe de um laboratório no Instituto Universitário de Oncologia do Principado de Astúrias, explica que o câncer nasce quando certas células do nosso corpo se tornam “egoístas”.

Elas deixam de trabalhar em harmonia com o organismo e passam a se multiplicar descontroladamente, em busca apenas da própria sobrevivência.

Isso significa que, em teoria, cada um de nós carrega dentro de si o risco constante do câncer. Afinal, bilhões de divisões celulares acontecem todos os dias, e basta uma falha no processo para que uma célula defeituosa se torne tumoral.

O verdadeiro milagre: estar vivo

O cientista reforça:

“Assombroso não é ter câncer, mas sim não ter.”

Ou seja, o que nos deveria impressionar não é a incidência da doença, mas o fato de o corpo humano, com todos os seus riscos e imperfeições, conseguir manter-se saudável por décadas. Nossa sobrevivência é, nas palavras dele, um milagre biológico diário.

A jornada da ciência contra o câncer

Em seu livro Egoístas, Imortais e Viajantes, López-Otín não só explica os mecanismos que levam ao câncer, como também narra a história da luta científica contra a doença.

Foram anos de pesquisas para entender como os tumores surgem, se desenvolvem e como podem ser combatidos. Esse caminho, turbulento e cheio de obstáculos, também abriu espaço para novas abordagens terapêuticas que transformaram o tratamento do câncer nos últimos anos.

Hoje, imunoterapias, terapias-alvo e técnicas baseadas em genética oferecem esperanças que, até pouco tempo atrás, pareciam inalcançáveis. Ainda que o câncer continue sendo um grande desafio, a ciência nunca esteve tão perto de controlá-lo.

Uma nova forma de olhar para a vida

Ao inverter a perspectiva sobre o câncer, López-Otín nos convida a enxergar a vida com mais clareza. Se o esperado seria que todos nós desenvolvêssemos câncer em algum momento, cada dia que vivemos sem a doença é uma vitória do nosso corpo e da ciência que o apoia.

Essa reflexão transforma o medo em gratidão: estar vivo, simplesmente, é algo extraordinário.

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