Anvisa aprova injeção contra o HIV que só precisa ser aplicada duas vezes por ano — e isso pode mudar tudo

Uma decisão silenciosa, mas histórica, acaba de ser tomada no Brasil. A Anvisa aprovou o registro do lenacapavir, um medicamento injetável de longa duração que pode revolucionar a prevenção e o tratamento do HIV.

A aplicação é simples — apenas uma injeção a cada seis meses. Para especialistas, trata-se de um dos maiores avanços no combate ao vírus desde o surgimento da PrEP.

Antes de tudo: não é vacina

Assim que a notícia se espalhou, muita gente acreditou que o HIV finalmente tinha uma vacina. Mas o infectologista Rico Vasconcelos fez um esclarecimento fundamental:

Não é vacina
É uma PrEP (Profilaxia Pré-Exposição)

Ou seja, o lenacapavir não treina o sistema imunológico, mas impede que o vírus consiga se instalar no organismo enquanto o medicamento estiver ativo no corpo.

Por que esse medicamento é considerado revolucionário

Até hoje, a prevenção mais comum contra o HIV exigia:

comprimidos todos os dias

disciplina rigorosa

alto índice de abandono

O lenacapavir muda completamente esse cenário:

Aplicação semestral

Menos esquecimento

Menor risco de falha por uso irregular

Para populações vulneráveis, isso pode significar a diferença entre proteção e infecção.

Como o lenacapavir age no organismo

O medicamento atua bloqueando uma fase essencial da replicação do HIV. Sem conseguir se multiplicar, o vírus:

Não se estabelece no corpo

Não se espalha

Não causa infecção quando usado como PrEP

No tratamento, ele também se destaca por funcionar contra variantes resistentes a outros antirretrovirais.

Impacto que vai além da medicina

A aprovação pela Anvisa representa mais do que um avanço científico — é um passo estratégico de saúde pública.

Especialistas acreditam que, se incorporado ao SUS no futuro, o lenacapavir pode:

Reduzir drasticamente novas infecções

Ampliar o acesso à prevenção

Ajudar o Brasil a se aproximar do controle da epidemia

Um cenário que, até poucos anos atrás, parecia distante.

O que ainda falta

Apesar da aprovação, o medicamento ainda depende de:

Definição de preço

Negociação para uso no SUS

Protocolos oficiais de distribuição

Mesmo assim, o consenso é claro: o mais difícil já foi feito.

Em resumo

Uma única injeção a cada seis meses pode mudar a forma como o mundo convive com o HIV — e o Brasil acaba de entrar nessa nova era.