Todo dezembro é a mesma cena no Brasil: vídeos de animais em pânico, campanhas nas redes, abaixo-assinados, promessas que não avançam.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, a Holanda decidiu virar a chave: a partir de 2026, fogos de artifício estarão proibidos por lei.

O motivo? Proteger animais, pessoas vulneráveis e o espaço urbano.

E isso reacendeu uma pergunta incômoda:

Por que aqui a discussão nunca sai do lugar?

Para os animais, não é festa. É terror

O barulho dos fogos pode ultrapassar 150 decibéis — mais alto que um avião decolando.
Para cães, gatos, aves e animais silvestres, isso significa:

Crises de pânico
Taquicardia
Tentativas de fuga (muitas vezes fatais)
Abandono e acidentes

Veterinários são unânimes: o impacto é real, recorrente e previsível.

Mesmo assim, ano após ano, o sofrimento se repete.

Não são só os animais

A decisão holandesa não foi emocional — foi baseada em dados.

Fogos também afetam:

Pessoas com autismo
Idosos
Bebês
Pacientes hospitalizados
Vítimas de estresse pós-traumático

Além disso, hospitais registram aumento de queimaduras, amputações e acidentes em períodos de queima intensa.

Na Holanda, o custo social já não compensava a tradição.

Tradição ou teimosia?

No Brasil, o argumento clássico sempre aparece:

“É tradição cultural.”

Mas a pergunta que cresce é outra:

Até que ponto uma tradição justifica sofrimento evitável?

A Holanda concluiu que tradições podem — e devem — evoluir quando causam danos.

Silêncio não significa fim da festa

Ao contrário do que muitos imaginam, a proibição não acabou com as comemorações holandesas.
Ela abriu espaço para:

Shows de luzes
Fogos silenciosos
Eventos comunitários controlados
Celebrações mais seguras e inclusivas

A festa continuou — o trauma, não.

E o Brasil?

Aqui, algumas cidades avançam com restrições locais. Outras recuam.
O resultado é um ciclo infinito:

Debate em dezembro
Comoção nas redes
Esquecimento em janeiro

Enquanto isso, milhões de animais seguem pagando o preço todos os anos.

A pergunta que fica

Se um país inteiro conseguiu transformar empatia em lei,
por que no Brasil a discussão ainda parece impossível?

Talvez o problema não seja falta de alternativas.
Talvez seja falta de coragem para mudar.

Conclusão

A Holanda escolheu proteger os mais vulneráveis — mesmo enfrentando resistência.
O Brasil ainda discute.

E a cada Réveillon, o barulho não vem só dos fogos…
Vem também da pergunta que ecoa cada vez mais alto:

até quando?