Os efeitos psicológicos do confinamento podem piorar com o passar dos dias. É necessário saber quais estratégias e abordagens mentais devemos ter para lidar melhor com essa circunstância, ajudando a nós mesmos e também aos outros.

Ninguém nos preparou para uma pandemia. Também é verdade que há momentos em que experimentamos uma sensação de irrealidade; vemos o mundo pela janela e custamos a aceitar que o que está acontecendo é real.

Sentir isso é completamente normal e mais uma fase nesse processo tão delicado que é a aceitação. Devemos assumir que estamos diante de um momento complicado e, acima de tudo, inesperado.

Vejamos, portanto, quais são os efeitos psicológicos da quarentena que podemos sofrer e o que fazer diante deles.

1. A angústia causada pela incerteza: quanto tempo isso vai durar?

O pior inimigo em tempos de adversidade é a incerteza, o fato de não saber o que vai acontecer. No momento, não sabemos quantos dias ou semanas nosso confinamento pode durar para achatar a curva de contágio. Portanto, devemos levar em conta as seguintes dimensões:

A ansiedade se alimenta da dúvida e da incerteza. Se nos perguntarmos continuamente quanto tempo isso pode durar, a angústia será maior. Não devemos alimentar a mente ansiosa.

Lembremos a razão pela qual estamos em quarentena: reduzir o contágio, proteger a nós mesmos e as pessoas mais vulneráveis.
Devemos nos concentrar no momento presente. É a única coisa que importa, o aqui e o agora, cuidar de nós mesmos.
Ocupemos nossa mente para focarmos no momento presente: Ler, assistir séries, filmes, montar quebra-cabeças, conversar com amigos, familiares…

2. Medo de ser infectado, medo de perder alguém que amamos

Um dos efeitos psicológicos mais evidentes da quarentena é o medo de ser infectado. Além disso, às vezes é ainda mais assustador pensar que alguém próximo e vulnerável pode ser infectado. Como controlar esses pensamentos?

Precisamos aceitar esse medo e validá-lo, mas sem entrar em pânico: a doença é contagiosa e há perdas. No entanto, uma vez que que assumimos esse fato, dispomos de mecanismos para enfrentá-lo melhor.

Devemos tomar as medidas necessárias para evitar o contágio, mas sem ficar obcecados, sem que isso nos leve a comportamentos obsessivo-compulsivos. Da mesma forma, reduzir (na medida do possível) o medo de que pessoas próximas sejam infectadas se baseia na mesma estratégia: protegê-las e lembrá-las de cuidar de si mesmas.

Por outro lado, se você testar positivo para o COVID-19, lembre-se de que, em boa parte dos casos, a doença pode ser transmitida em casa ainda que as medidas de isolamento apropriadas sejam tomadas. Devemos estar cientes dos sintomas o tempo todo.

3. Estresse por falta de contato social

Os seres humanos são seres sociais acostumados a hábitos e rotinas. Quando isso se quebra repentinamente, o cérebro dispara um alarme e experimenta um alto nível de estresse.

Essa mudança abrupta e inesperada pode ser bem administrada por 5 ou 10 dias. No entanto, após 12 dias, podemos sentir como a angústia aumenta.

Sentimos falta de pessoas, dos familiares que não estão perto de nós. Ansiamos por nossas rotinas. O que podemos fazer diante disso?

Nessa situação, a tecnologia está a nosso favor. As ligações telefônicas, as mensagens e as videochamadas são as nossas melhores aliadas.Por outro lado, para aliviar a angústia que o cérebro experimenta quando seus hábitos são quebrados, é essencial ter rotinas claras em relação ao trabalho em casa, ao lazer, ao descanso e aos exercícios físicos.

4. O peso da convivência em casa ou do isolamento solitário

Nós sabemos disso: ficar em quarentena em casa com outros membros da família pode ser uma bênção ou uma maldição. Não é fácil ficar juntos por tanto tempo; se tivermos filhos, devemos entretê-los para evitar o tédio e despertar sua alegria em dias difíceis.

A chave nessas circunstâncias é a atitude. Mantenhamos uma abordagem construtiva e positiva para fortalecer ainda mais os laços com os nossos familiares.

Usemos também a criatividade para que cada dia seja único. Estarmos juntos e cuidarmos uns dos outros é o melhor que podemos fazer.
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