Considerado um dos tumores mais agressivos e no qual houve poucos avanços nos últimos anos, o Câncer de mama triplo-negativo, ainda não tem um tratamento específico.

Porém uma proteína extraída de sementes da árvore Enterolobium contortisiliquum, popularmente conhecida como tamborilou orelha-de-macaco, pode ser a esperança para o tratamento dessa doença no futuro.

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) constataram durante um estudo, apoiado pela FAPESP, que a proteína é capaz de inibir a migração e a metástase de câncer de mama triplo-negativo e de outros tipos de tumor, como o gástrico e o de pele (melanoma).

Se você não conhece o termo, metástase é a disseminação da doença para outras partes do corpo.

No encontro realizado em Bruxelas, a professora da Unifesp e coordenadora da pesquisa, apresentou os resultados em palestra na Fapesp Week Belgium.  O objetivo desse encontro e estreitar parcerias entre cientistas brasileiros e belgas.

“Constatamos que a proteína inibe a invasão, a proliferação e a metástase de tumor de mama triplo-negativo em testes in vitro [em células no laboratório] e, no caso do melanoma, tanto em modelo in vitro como in vivo [em animais]”, disse Maria Luiza, à Agência Fapesp.

Essa substância, denominada Enterolobium contortisiloquum inibidor de tripsina (EcTI, na sigla em inglês), foi isolada por Maria Luiza durante seu doutorado, no final da década de 1980. A partir daquela época, a cientista começou a tentar isolar outras moléculas similares de sementes de leguminosas da flora brasileira.

Em resumo, ela procurou por proteínas que inibem outras moléculas, essas chamadas de proteases. As tais proteases são enzimas envolvidas em diversos processos biológicos, como inflamação, prevenção e interrupção de sangramentos… e no desenvolvimento do câncer.

“Temos estudado os efeitos dessas proteínas isoladas de leguminosas em alguns tipos de câncer na tentativa de descobrir novos agentes que possam, se não curar, ao menos ajudar a entender essas doenças”, afirmou Maria Luiza.

Análises indicaram que além de antitumoral, essas moléculas apresentam propriedades anti-inflamatória, antimicrobiana e antitrombótica. “O câncer, a inflamação e a trombose são patologias que estão de certa forma interligadas. Às vezes, o paciente com câncer pode morrer não pela doença, em si, mas em decorrência de um quimioterápico que pode levar ao desenvolvimento de uma trombose”, avaliou.

A muito ainda a avançar antes que a proteína de semente do tamboril virar um possível remédio contra o câncer de mama.  Mas cabe ressaltar que não há evidências científicas consolidadas do uso da semente em sí contra tumores.

Ou seja a semente de tamboril não cura câncer de mama ok? 

* Nota: As informações e sugestões contidas neste artigo têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

Informações: Agência Fapesp

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