De todas as coisas essenciais para que qualquer ser humano cresça acreditando nele mesmo e no seu potencial, a mais importante é o amor!

E esse amor pode vir tanto da família, quanto de pessoas que marcam a nossa formação, como por exemplo, um professor.

E esse depoimento fala exatamente disso! Quem escreveu esse depoimento foi Joana Vieira e ela conta como foi conviver e educar um aluno autista, chamado Caio Felipe.

No início, ela diz, que não sabia muito o que fazer, mas que quando perguntou a ele o que ele queria prestar no vestibular, ele respondeu que queria ser calouro. Na hora ela fez um trato com ele e disse que se era isso que ele queria, era isso que iria acontecer.

Os anos passaram e Caio passou no vestibular! Ele se inscreveu em 3 universidades e passou em todas. Os pais preferiram que ele estudasse em uma faculdade privada, pois assim ele teria um tratamento mais diferenciado e ele acabou optando por estudar Farmácia. Daniela diz que, nenhum filho, autista ou não, consegue ser grande se não tiver o apoio da família e isso Caio teve o tempo inteiro, pois seus pais sempre acreditaram nele.

No fim do depoimento, ela agradece também os donos da escola em que ela deu aula para Caio, que sempre foram humanos e acreditaram em uma educação compreensiva e com amor.

Quer ler o depoimento completo?

A primeira vez que eu vi o Caio foi em sala de aula. Era o primeiro dia de convênio no Colégio Avante e eu seria a sua professora de redação. Vi que ele estava fora da fila indiana e pedi para pôr a carteira no lugar: “Você pode colocar a carteira na fila, por favor?!”. Ele me olhou sem graça e me chamou para perto. “Eu sou autista!”. Falou rápido ao meu ouvido. Eu olhei para a moça ao lado e ela me explicou: “Sou a acompanhante dele, professora. Ele é autista!”. Eu respirei fundo e olhei para ele sorrindo: “Quer fazer o quê no vestibular?”. “Quero ser calouro!”. “É?”. “É!”. “Então você será?”. Ele não tem a mesma reação que todo mundo mas exitou quando eu dei a mão para que ele batesse: “Bate aqui!”. E ele bateu forte. “Temos um trato. Ouviu, turma? Eu e ele temos um trato, ele será calouro!”. Todos balançaram a cabeça em sinal de positivo.

Eu não sabia lidar com alunos autistas até conhecer o Caio Felipe. Fiquei pensativa naquela tarde quando cheguei em casa. Lembrei do aluno down que tive lá em Santa Izabel e como eu consegui fazê-lo escrever e ganhar motivação. Li algumas coisas sobre autismo, Asparger, conversei com a coordenação e com a professora que o acompanhava em sala e aceitei o desafio. Primeiro, foi preciso ganhar a confiança dele. Fazê-lo gostar e confiar em mim. Essa parte até que foi fácil. Depois de uns meses ele levantava da carteira para bater na minha mão da mesma forma como fez na primeira vez. “Temos um trato!”, dizia. Eu ria e respondia: “Não esqueci, pode deixar!”. Ele é um garoto especial (especial no melhor sentido dessa palavra). Ouvia o que eu dizia com atenção e, apesar da dificuldade, foi superando os seus obstáculos. Os autistas têm aptidão a atitudes repetitivas e eu usava isso ao meu favor: “Refaz esse texto para mim que eu vou ficar muito feliz!”. Ele não se incomodava. Nunca se incomodou. “Tenta escrever mais uma vez isso aqui!”. Ele obedecida. Na segunda avaliação, a nota dele já era melhor que a de muitos alunos da sala. Eu entregava e ele vinha à mesa todo sorridente: “Temos um trato!”, batendo na minha mão. Seis meses e ele se comunicava muito bem comigo. Me chamava pelo nome e dizia que tinha refeito o texto. Oito meses e ele já alcançava nota 760. Vésperas do vestibular e ele já havia alcançado os 820.

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Se inscreveu em três universidades privadas e passou em todas. Foi aprovado em Jornalismo, na Unama, Biomedicina, na Fibra e Farmácia, no Cesupa. Escolheu cursar Farmácia e está super feliz. Nos encontramos na festa dos calouros e ele me abraçou forte como quem estivesse grato. Ele não tem a mesma expressão que os outros alunos, não formula as mesmas frases e talvez não saiba dizer o que sente, mas não importa. Aquele abraço, aquele laço verde na cabeça, aquela cabeça suja de trigo e ovo, aquela plaquinha de aprovação e a palavra “calouro” escrita na bluda e na testa são a prova mais linda de que ele cumpriu o trato que fez comigo desde o primeiro dia quando nos vimos pela primeira vez. É calouro!

A família do Caio preferiu inscrevê-lo nas universidades privadas porque ele precisa de um apoio diferenciado, mas esse menino é um exemplo e eu estou muito orgulhosa do seu desempenho, da sua história. Será farmacêutico porque tem o apoio dos pais que, sobretudo, confiam e acreditam nele. Nenhum filho, autista ou não, será grande se não tiver o apoio da família. É de suma importância o acompanhamento. Amar é a melhor forma de dizer que confia. O amor vence todas as barreiras. Não neguem aos seus filhos o direito de sonhar, independente, das limitações ou qualquer outra coisa. Nossos filhos precisam se sentir amados e protegidos. Se confiarem em nós vão longe e serão capazes de ganhar o mundo. Se seu filho é autista, lute por ele também. Incentive. Persista nos seus sonhos. Faça-o acreditar. Mostre que está ao seu lado e que aposta nos seus projetos.

A vitória do Caio não é minha nem dele exclusivamente. É dos pais, da coordenação,da escola que tratou esse menino com respeito e acreditou nele junto com a família. Essa luta é também da Paula, a professora que o acompanhava nas aulas, ela foi fundamental e necessária para que chegássemos aqui. Agradeço ao Avante por ter me dado a chance de viver essa história. Parabenizo o Fábio e a Thaís que são os donos da escola por respeitarem as leis e serem humanos ao receberem alunos autistas, cadeirantes, cegos, surdos, down…dando a eles condições de superarem as dificuldades. Uma escola mais inclusiva torna o mundo mais inclusivo também. Muito obrigada por tudo, Caio!

Trato feito. Trato cumprido.

Eu te amo!

Essa é a postagem original de Joana:

A primeira vez que eu vi o Caio foi em sala de aula. Era o primeiro dia de convênio no Colégio Avante e eu seria a sua…

Posted by Joana Vieira Vieira on Thursday, February 1, 2018

Fonte: Razões para Acreditar

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