A ciência descobriu um tratamento capaz de impedir a morte de células cerebrais em indivíduos que sofrem de Parkinson.

A pesquisa, foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Queensland, tem financiamento parcial da fundação do ator Michael J. Fox, que tem a doença.

É a primeira do mundo, que impede a morte de células cerebrais nos portadores de Parkinson, em vez de somente controlar os sintomas.

Espera-se que os resultados em humanos sejam tão impressionantes quanto os testes em animais. A inflamação do cérebro que causa muito do dano progressivo na doença de Parkinson (DP) poderá ser interrompida tomando-se apenas uma única pílula por dia.

A pesquisa

O professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Queensland, Trent Woodruff, disse que a pesquisa foi rapidamente bem-sucedida em descobrir “um fator-chave subjacente para a doença”, que serviu como um avanço na terapia.

Trata-se da pequena molécula MCC950, um composto que foi desenvolvido há 10 anos, mas que logo foi abandonado por uma empresa farmacêutica que não entendia bem a utilidade dele, levando a muitos erros de pesquisa.

Mas a descoberta da pesquisa na Universidade de Queensland ajudou os pesquisadores a identificar na molécula MCC950 uma possível solução para o mal de Parkinson.

Segundo o doutor Woodruff, a doença de Parkinson é especificamente caracterizada pela perda das células cerebrais que normalmente trabalham para produzir dopamina, uma substância química que auxilia o corpo na coordenação motora.

Portanto, a perda de dopamina é um problema, assim como a questão da inflamação crônica que ocorre quando a resposta do sistema imunológico de um indivíduo está defeituosa, resultando em uma grande quantidade de inflamação e danos cerebrais.

Funciona assim: a inflamação é ativada em nossas células por proteínas complexas chamadas inflamassomas. O doutor Woodruff e sua equipe descobriram que o sistema imunológico faz com que o inflamassoma NLRP3 seja ativado nos pacientes com Parkinson, com sinais dessa ativação sendo encontrados no cérebro e até mesmo no sangue.

Foi após essa descoberta milagrosa que Woodruff e sua equipe perceberam que quando a pequena molécula MCC950 é consumida, uma vez por dia, ela bloqueia a ativação de NLRP3 no cérebro e evita a perda de células cerebrais, resultando em uma função motora melhor.

Os testes

Tanto a Fundação Michael J. Fox para Parkinson Research quanto a Inflazome, uma empresa sediada na Irlanda, estão ansiosas para que os testes com seres humanos sejam iniciados o mais rápido possível.

O maior obstáculo, além do financiamento, é que o MCC950 saiu de uma patente. Isso significa que os pesquisadores tiveram que desenvolver variações do medicamento original por razões de propriedade intelectual.

Essas variações do medicamento estão sendo testadas atualmente e provam ser ainda mais eficazes, segundo o doutor Woodruff. Apesar do otimismo dos cientistas, só o tempo dirá se a droga realmente é eficaz e segura.

Os testes da fase 1, neste ano, determinarão se o medicamento é seguro em seres humanos saudáveis.

Se tudo correr bem, voluntários com Parkinson serão recrutados para testes da fase 2, em 2020. Se o próprio Michael J. Fox será um desses voluntários, ainda não se sabe.

Texto originalmente publicado no The New Daily, livremente traduzido e adaptado pela equipe da Revista Saber Viver Mais

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