Letícia de Ávila Franco Viñe, Oftalmologista, convive há 8 anos com uma doença sem cura que tem uma média de sobrevida de 9 anos.

No dia 31 de março estaria, teoricamente, em seu último ano de vida, quando recebeu inúmeras ligações a noite, porém estava com muitas dores e cansada, só conseguia escutar o som dos telefonemas.

A médica então pediu a mãe que atendesse uma das ligações. Foi quando a vida de Letícia tomou um rumo totalmente inesperado.

Para a sua surpresa no outro lado da linha, estava o empresário Guilherme Viñe, de 29 anos, que pediu para rever a ex-namorada. Ele resolveu retomar o contato com Letícia após descobrir que ela decidira morrer.

Aquela noite de março marcou para Letícia e Guilherme, a retomada de uma história de 10 anos atrás. No fim de junho, eles se casaram no civil.

Porém um mês antes de receber a ligação que mudaria sua vida, Letícia havia decidido passar pelo procedimento de morte assistida em uma clínica na Suíça.

Ela convive com a Síndrome Asia é uma doença autoimune causada por fatores externos ao corpo, como o silicone. Seu implante nos seios se rompeu acionando uma pré-disposição genética para a doença. A falta de conhecimento sobre essa síndrome levou Letícia a ser desacreditada por muitos médicos e não ter acesso a tratamentos adequados.

Nos últimos 9 anos, a médica sofreu cinco infartos e chegou a ser internada 35 vezes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), em decorrência da doença.

Foi quando Guilherme em uma fila de banco, olhou o Facebook e se deparou com a informação em um site. “Quando vi que a Letícia queria morrer, o meu chão desabou. Liguei para a minha mãe e comecei a chorar. A gente sempre pensa que essas coisas não acontecem com conhecidos, ainda mais sendo uma pessoa de que sempre gostei”, diz Guilherme.

Por semanas, ele ligou para a ex e não foi atendido. “A Letícia estava sempre medicada e sonolenta, então nem se atentava ao celular.”

Mas tudo começou mudar na última noite de março. “Eu tinha saído com uns amigos e passamos em frente ao prédio em que ela mora. Eu observei que a luz do apartamento dela estava acesa e pedi para pararem o carro. Desci e comecei a ligar incansavelmente”, relata.

Quando enfim a mãe da médica atendeu a ligação, Guilherme pediu para falar com a ex. “Como a minha sogra me conhece há muito tempo, pediu que eu fosse ao apartamento no outro dia, para me encontrar com a Letícia” Na noite seguinte, o ex-casal se reencontrou e passou a retomar o contato.

Mas a história de Guilherme e Letícia começou a dez anos, quando ela operou o olho de Guilherme, salvando-o de uma possível cegueira. Ele passou a enxergar como ninguém e se apaixonou pela primeira pessoa que viu: Letícia. A vida os levou a destino diferentes, se separaram.

O reencontro com o ex-namorado é considerado por Letícia como um dos principais motivos para que ela decidisse procurar tratamentos que amenizassem suas dores, pois não há medicações que possam controlar sua doença. Ela afirma que o relacionamento a deixou mais disposta e motivou a suspensão do suicídio assistido.

Após o casamento em Junho, Letícia está planejando o futuro, como não fazia há anos, Letícia não descarta a possibilidade de recorrer à morte assistida. “Eu sei que essa síndrome não tem cura. Então, por mais que eu não queira, caso venha uma crise muito forte e eu fique muito tempo em uma UTI, cheia de tubos, sei que meu nome ainda está na clínica da Suíça. O Guilherme e a minha família vão respeitar o meu direito a uma morte digna. Mas espero que isso nunca aconteça”, afirma.

A declaração da médica é interrompida pelo marido. “A gente sabe que isso não vai acontecer”, diz. Reticente, ele completa.

“Mas se acontecer e eu tiver que levá-la para ter uma morte digna, sem precisar passar o resto da vida em uma UTI, respeitarei a vontade dela e a levarei para a Suíça.”

Informações: G1

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