Por: Juliana Conte

Depressão infantil não é um assunto tratado com muita frequência. Na verdade, o reconhecimento da existência desse problema na infância é recente inclusive na psiquiatria, justamente pela dificuldade que a criança tem de falar sobre o que sente.

Dados da OMS revelam que há atualmente 350 milhões de pessoas em todo mundo com depressão e cerca de 1% a 2% dos atingidos são crianças.

Segundo a dra. Sandra Scivoletto, psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da USP, alguns aspectos do comportamento infantil podem revelar quando a doença está instalada.

“No passado, o diagnóstico de depressão era feito por exclusão. Hoje se sabe que sintomas como alterações do apetite e do sono, diminuição da atividade física, medo excessivo, duradouro e persistente são próprios da depressão infantil.”

“É  preciso estar atento quando a criança fica muito quieta, parada, com muito medo de separar-se das pessoas que lhe servem de referência, como os pais ou cuidadores. Fica irritada com frequência e reclama sempre que sente algum tipo de dor (de barriga e de cabeça, por exemplo).” De modo geral, a criança deprimida logo demonstra que não se interessa por nada e não há brincadeira que a faça sentir-se melhor.

Ainda segundo a especialista, os adultos e a escola, normalmente, têm dificuldade em entender o que está acontecendo com a criança, por isso é comum que ela seja encaminhada para avaliações com outros especialistas, como oftalmologistas e fonoaudiólogos, e que passe por testes específicos para ver se tem déficit de atenção e hiperatividade, o que acaba postergando ainda mais o diagnóstico. Quando se trata de crianças, dificilmente se pensa em depressão logo de início.

“No passado, o diagnóstico de depressão era feito por exclusão. Hoje se sabe que sintomas como alterações do apetite e do sono, diminuição da atividade física, medo excessivo, duradouro e persistente são próprios da depressão infantil”, explica a dra. Scivoletto.

As causas da doença variam. Podem incluir predisposição genética; traumas, como abuso sexual ou psicológico; problemas de convivência familiar, principalmente no que diz respeito à relação com a mãe; complicações vividas durante a gestação; e alguns traços próprios do temperamento da criança. É importante ficar atento, pois se há episódios de depressão na família, a probabilidade de a criança desenvolver algum transtorno mental aumenta consideravelmente. Se os pacientes forem a mãe ou o pai, os riscos podem ser até cinco vezes maiores.

A dra. Ana Kleinman, psiquiatra infantil e pesquisadora do Programa de Transtorno Bipolar do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo explica que dependendo do caso, terapias e atividade física podem ajudar a criança, entretanto, mais uma vez, é preciso ficar atento ao entorno familiar: “Não adianta fazer terapia se as brigas familiares não cessarem, por exemplo. É necessário uma mudança nas causas da depressão.” Nos casos de depressão moderada ou grave, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos.

* Nota: As informações e sugestões contidas neste artigo têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

Fonte: Drauzio Varella

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